Wednesday, August 31, 2005

" Fica-nos o discurso de políticos de mãos na cabeça e familías sem nada, a um país que se avizinha árido"
Joana Canelas, Reflorestação
Infelizmente os incêndios são mais do que uma paisagem enegrecida, mais do que uma estatistica europeia, mais do que um "xis" numero de hectares ardidos, mais que uma horrenda visão desoladora. São o prenuncio da esterelidade.
À escala arrasadora que se fez sentir os incêndios nos ultimos anos faz-me prever para o nosso país, num futuro relativamente proximo algo que se adensa numa possível catastrofe ecológica.
Graças ao belissímo trabalho de "florestação" que as empresas de celulose fizeram ao nosso país, as matas outrora verdejantes e cobertas com flora diverssificada e autóctone, foram substituídas por monoculturas de grande extensão cujo coberto arbóreo predominante é o eucalípto e o pinheiro. Infelizmente o eucalípto, uma árvore de crescimento rápido e com caracteristicas de invasora, é um dos grandes responsáveis pela erosão do solo, pois consome brutalidades de água, impede a retenção de água por parte do solo, não havendo flora autóctone que resista. No verão temos uma floresta quente com plantas secas, um solo desidratado, condições óptimas para a propagação de fogos e afins.
Parece-me incrivel que a política de reflorestação nacional ainda esteja baseada e direccionada para o proveito da industria madeireira e da produção de papel. Que é feito do carvalho? do sobreiro e tantas outras?
Sem a existência de coberto vegetal o solo fica inúmeras vezes mais exposto aos agentes e pressões erosivas, trazendo consequências gravíssimas para a manutenção dos recursos hidricos, para a manutenção da vida animal no local e por fim para a fertilidade do solo.
E assim conta-se a história daquilo que tem muitas hipoteses de se assemelhar a um deserto.
Mas com tantos e tantos hectares ardidos parece que por mais que se faça, por mais acções de reflorestação em que se participe, no verão seguinte voltará a chaga dos incêndios...
A solução seria tornar o assunto uma causa nacional, preservar a flora autóctone, levar os miudos para a floresta... não sei, tudo menos meter as mãos à cabeça e sentarmo-nos em frente à televisão a ver dados e percentagens e desgraças e horrores e no final do dia dormir descansados, e pensar que não se pode fazer nada quando de hipocrisia e cobardia está o mundo a transbordar. Pode-se e tem de se fazer mais...
Fica-me na memória deste e de outros verões quentes o triste e banal sensionalismo com que a televisão em particular tratou uma tragédia que merce mais do que uma visão meramente economicista, não é um problema a ser explorado em prol das audiências, não é uma causa meramente de verão, as repercursões durarão mais que este mês de Agosto, isso sim espero, afincadamente, que seja exposto.
" E cada um, passo a passo, alargaremos os nossos horizontes.(...)Das sementes tornar a árvore. Pouco a pouco cresce.
(...)
Que esta juventude seja capaz de mais que esta massa inerte que nos governa , que dê de novo o espirito empreendedor a uma sociedade voltada para o seu umbigo, esquecida de uma natureza que lhe cedeu o espaço"
Citações retiradas de um texto elaborado por Joana Canelas, que mais tarde vou introduzir na integra. Agradeço-lhe desde já a inspiração e o génio que transmite nestas frases....ela é linda :D

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